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Características da Raça

Jersey

Veja os motivos que fazem a Raça Jersey ser ideal em todos os tempos!

No mundo, o gado Jersey tem sido criado puramente há mais tempo do que qualquer outra raça bovina. Para muitos, a superioridade do leite da vaca Jersey é inquestionável. É o melhor e mais completo leite produzido entre todas as raças leiteiras.

O leite Jersey contém a maior quantidade de sólidos não gordurosos (proteína, lactose, vitaminas e minerais) e gordura, quando comparado com os outros, produzidos por outras raças leiteiras. Quanto mais componentes, mais saboroso e nutritivo é o leite.

Comparado com o leite do Holandês, o leite Jersey contém acima de 18% de proteína e 29% a mais de gordura. Quando o comparamos com outras raças, em média, ele possui 20% a mais de cálcio, mineral essencial para a formação de dentes e ossos fortes.

Diferença Racial da Raça Jersey

  • Devido ao seu menor tamanho corporal, é possível aumentar a carga animal por hectare.
  • São animais que se alimentam a um custo menor.
  • Produzem mais sólidos totais por hectare.
  • O Jersey é mais eficiente na conversão de alimentos.
  • Necessitam de menos energia dos alimentos para seu sustento corporal.
  • Devido ao seu menor tamanho e peso, apresentam menos problemas nos cascos e patas, causando menos desgaste nas pastagens e instalações.
  • São animais mais dóceis.
  • São mais longevos, aumentando sua vida reprodutiva e gerando mais benefícios.

Comportamento Reprodutivo da Raça Jersey

  • São mais precoces, acelerando seu ingresso na vida produtiva.
  • Têm grande facilidade de parto, muito importante em novilhas, e muito poucas distocias, economizando tempo de funcionários e custos veterinários.
  • Mostram maiores porcentagens de concepção no primeiro serviço.
  • Apresentam menor intervalo entre partos, com a Jersey retornando ao cio rapidamente.

A Origem da Raça Jersey

A raça Jersey é originária da Ilha Jersey, localizada no Canal da Mancha, na Inglaterra.

A raça Jersey desenvolveu-se a partir do ano 1.100, adaptada às necessidades dos habitantes da ilha e à limitada produção de forrageiras devido à ocupação de parte dos campos com outros cultivos essenciais à alimentação do povo. A sua discutida origem pode ter sido a partir da raça Bretona ou da Normanda. Alguns autores a citam como originária de raças germânicas. Informações mais remotas, porém, indicam que a raça Jersey se formou por cruzamento do pequeno gado negro da Bretanha com os grandes bovinos vermelhos da Normandie. Mediante rigorosa seleção, fixou-se um tipo uniforme com as atuais características, tornando-a a raça que mais manteve seu estado de pureza.

Em 1763, foram decretadas leis que proibiam a entrada na Ilha de Jersey de qualquer animal vivo que pudesse transmitir doenças aos seus bovinos.

Numa ilha como a de Jersey, que tem cerca de 17.500 m de comprimento por 14.500 m de largura, e que devido à sua pequena área provavelmente nunca comportou mais do que 10.000 cabeças, não foi difícil atingir as metas de seleção.

Curiosidade: Durante a ocupação nazista (entre junho de 1940 e maio de 1945), os criadores da ilha foram obrigados a utilizar critérios severíssimos para a seleção. As tropas de ocupação, sempre que podiam, importavam carne bovina da Alemanha e da França, também ocupada, porém, nos últimos seis meses de ocupação, cerca de quarenta cabeças eram abatidas por semana. Os criadores, diante de tal circunstância, resolveram agir do seguinte modo: se tivesse chegado a vez do criador “A” ceder, por exemplo, cinco animais para os nazistas e este criador tivesse apenas animais excepcionais, e um criador “B” tivesse cinco animais de inferior qualidade, o criador “B” teria seus animais abatidos e o criador “A” cederia os seus para o “B”.

Até hoje, os animais que vão competir em exposições fora da ilha lá são vendidos, por não poderem retornar à origem. Estas leis sacramentam a pureza da raça.

O ano de 1850 marca a primeira exportação oficial da Ilha de Jersey para os Estados Unidos, ano em que fizeram os primeiros registros de Jersey naquele país. Há registros, no entanto, que indicam que a chegada dos primeiros exemplares da raça Jersey aos Estados Unidos da América tenha ocorrido em 1815. Começou então a expansão do gado Jersey no mundo.

Em 1860, numa demonstração clara da preocupação dos criadores com a qualidade do leite, passou-se a realizar, durante as exposições de gado, testes que utilizavam lactometros para medir a consistência do leite.

Em março de 1866, ocorreu o mais importante evento em toda a história do Jersey, que foi a criação do Jersey Herd Book. A partir disso, passou-se a incrementar a seleção da raça em termos de rusticidade, precocidade, prolificidade, facilidade de parição, longevidade e produção leiteira e manteigueira.

A raça Jersey, devido às suas características, teve fácil expansão no mundo. Nos Estados Unidos, obteve sucesso quando o leite passou a ser melhor remunerado pela porcentagem de gordura, minerais e proteínas nele contidas.

A Vaca Jersey

Das raças leiteiras, a vaca Jersey é a mais dócil, rústica, e de menor tamanho. É a que melhor se reproduz e a mais longeva, tornando-a, portanto, a mais produtiva. A mansidão da vaca Jersey permite seu manejo até por crianças. Em muitas fazendas familiares que criam Jersey, o trato dos animais fica a cargo das mulheres e de seus filhos. Sua rusticidade permite que sejam criadas em diversos climas e topografias, consumindo alimentos variados e resistindo bravamente a doenças.

Embora pequena — com o peso de uma Jersey adulta variando de 350 a 450 kg —, ela é capaz de produzir de 12 a 15 kg de leite por dia em condições de trato razoáveis. Vacas Jersey de linhagens superiores e convenientemente alimentadas podem chegar a produzir mais de 25 kg de leite diariamente. O leite Jersey diferencia-se dos demais por apresentar melhor sabor e maiores percentuais de proteína e sólidos, tornando-o especialmente nutritivo e preferido por fábricas de derivados de leite, como manteiga, iogurtes e sorvetes.

As fêmeas Jersey possuem um aparelho reprodutor muito precoce, tornando-se aptas a dar crias ainda muito jovens. Novilhas pesando entre 230 a 250 kg podem ser cobertas ou inseminadas artificialmente. Com um bom manejo, esses pesos são alcançáveis entre 14 a 16 meses de idade. Assim, aos dois anos, nasce o primeiro bezerro e, a partir de então, graças ao seu excelente desempenho reprodutivo, a vaca Jersey fornece uma cria a cada ano. No estado de New Jersey, nos Estados Unidos, uma vaca da raça Jersey produziu, aos dois anos, 7.936 kg de leite na sua primeira lactação e, nas seis lactações seguintes, produziu mais de 9.072 kg em cada uma delas.

Costuma-se dizer que a vaca Jersey é longeva, o que significa que ela vive por muito tempo, produzindo muitas crias e leite. Sua longevidade é ainda mais acentuada quando comparada a outras raças leiteiras existentes no Brasil. Há diversos registros de fêmeas Jersey em lactação e prenhas com mais de 20 anos de idade. Em Ohio, Estados Unidos, a vaca Brasil Lucy Minnie Pansy produziu, durante toda sua vida de mais de 21 anos, 127 toneladas de leite e 6 toneladas de gordura.

FONTE: American Jersey Cattle Association (AJCA)
IMAGENS: Ilha Jersey- Google Maps 2024 ,  Invasão Ilha Jersey Segunda Guerra -  GETTY IMAGE , Crianças com A Jersey -  Foto de Paulo Lanzetta (sindilat.com.br)